«Vimos comunicar a população que neste momento temos a rotura da gasolina, também do petróleo para cozinha».

A declaração do Ministro de Estado, da Economia e Finanças Gareth Guadalupe não foi novidade para a população que já estava a constatar a falta de combustíveis nas bombas de abastecimento.

A gasolina é o combustível mais utilizado pelos taxistas, motoqueiros, também pelas viaturas da administração pública, assim como os pescadores. O petróleo para cozinha serve muitas vezes para a iluminação nas noites em que a empresa de electricidade realiza o apagão geral.

O ministro justificou a rotura da gasolina e do petróleo com a falta de dinheiro para garantir a importação.

«Qualquer planeamento sem dinheiro não passa de mero exercício académico. Cada vez mais os preços estão a subir no mercado internacional», alertou Gareth Guadalupe.

O Ministro, recordou que nos últimos meses as finanças públicas têm sido muito sobrecarregadas. O custo da democracia foi alto. Segundo Gareth Guadalupe, nas vésperas das eleições gerais de 27 de setembro, o governo teve de fazer ginásticas financeiras de última hora para pagar a realização das eleições.

Ao mesmo tempo, o ministério das finanças teve de procurar dinheiro para pagar os salários e os subsídios de férias aos funcionários públicos.

Muita pressão financeira, que segundo o ministro tirou disponibilidade de caixa para comprar os combustíveis a tempo.

«Sempre que damos início à importação dos combustíveis tentamos fazê-lo com antecedência suficiente, mas enquanto não conseguirmos o montante suficiente para fazer a devida importação não nos é fornecido o combustível», sublinhou.

Mas mesmo no meio da pressão, o ministério das finanças conseguiu amealhar 17 milhões de dólares para importar a gasolina e o gasóleo.

«Neste momento já temos o valor para fazer a importação, todavia há um produto que escasseia no mercado internacional que é o Jet Fuel e também o querosene que é o petróleo de uso doméstico. Como já temos a rotura da gasolina decidimos avançar com a importação da gasolina e do gasóleo, para que dentro de uma semana esteja no país», assegurou o ministro Gareth Guadalupe.

O valor de 17 milhões de dólares para a próxima importação de combustíveis foi considerado pelo ministro das finanças como «um valor significativo e com custos proibitivos para a nossa economia».

Pelas contas do governo os custos proibitivos com a importação dos combustíveis são incalculáveis, tendo em conta que o Estado tem também subvencionado o preço dos combustíveis no mercado nacional.

«O estado está a assumir para si esse custo e não o repassa para os consumidores», frisou.

O preço dos combustíveis não para de subir no mercado internacional, o Estado são-tomense compra caro e vende barato, para não sacrificar ainda mais a população.

«Se a coisa continuar assim a algum momento o Estado tem de deixar de subvencionar», esclareceu Gareth Guadalupe.

A crise no fornecimento de combustíveis, nomeadamente do gasóleo, tornou-se num fenómeno mundial. Nas últimas semanas mesmo os países africanos produtores de petróleo, como Nigéria e o Gabão têm se confrontado com a rotura do stock dos combustíveis, por causa da fraca capacidade de refinação nos países africanos do petróleo bruto.

Abel Veiga

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