O GNOME Shell é a interface gráfica do ambiente de desktop GNOME a partir da versão 3, lançada em 6 de abril de 2011. Ele fornece funções básicas como iniciar aplicativos, alternar entre janelas e gerenciar áreas de trabalho. O GNOME Shell substituiu o GNOME Panel e alguns componentes auxiliares do GNOME 2, marcando uma mudança significativa na filosofia de design da interface.

História Os primeiros conceitos para o GNOME Shell foram criados durante o GNOME User Experience Hackfest de 2008 em Boston. Após críticas ao desktop tradicional do GNOME e acusações de estagnação e falta de visão, a discussão resultante levou ao anúncio do GNOME 3.0 em abril de 2009. Desde então, a Red Hat tem sido a principal impulsionadora do desenvolvimento do GNOME Shell. Versões de pré-lançamento do GNOME Shell foram disponibilizadas pela primeira vez em agosto de 2009 e se tornaram parte regular, mas não padrão, do GNOME na versão 2.28 em setembro de 2009. Ele foi finalmente entregue como interface de usuário padrão do GNOME em 6 de abril de 2011, com o lançamento do GNOME 3.0.

Arquitetura técnica

O GNOME Shell está fortemente integrado com o Mutter, um gerenciador de janelas compositor e compositor Wayland. Ele é baseado no Clutter para fornecer efeitos visuais e aceleração de hardware. De acordo com Owen Taylor, mantenedor do GNOME Shell, ele é configurado como um plugin do Mutter amplamente escrito em JavaScript e usa widgets de GUI fornecidos pelo GTK versão 3. O código do GNOME Shell é escrito principalmente em C e JavaScript, com folhas de estilo em CSS.

Características O GNOME Shell introduziu várias mudanças significativas na interface do usuário do GNOME:

Barra superior: Uma barra preta no topo da tela que contém o relógio, indicadores de sistema e o botão "Atividades" Visão geral (Overview): Acessada clicando em "Atividades" ou pressionando a tecla Super, mostra uma visão geral das janelas abertas, áreas de trabalho e permite pesquisar aplicativos e arquivos Dash: Um painel à esquerda da tela na visão geral que contém atalhos para aplicativos favoritos e aplicativos em execução Áreas de trabalho (Workspaces): Gerenciamento de múltiplos desktops virtuais que aparecem à direita da visão geral Barra de pesquisa: Permite lançar aplicativos, pesquisar arquivos e realizar pesquisas na web Ajuste de janelas: Recurso de "encaixe" que permite arrastar janelas para as bordas da tela para preencher metade ou toda a tela Suporte a gestos multi-toque: O Clutter e o Mutter oferecem suporte a gestos multi-toque em touchpads e telas sensíveis ao toque Suporte a monitores HiDPI: Adicionado na versão 3.13 do Mutter para melhor experiência em telas de alta resolução

Extensões A funcionalidade do GNOME Shell pode ser modificada com extensões, que podem ser escritas em JavaScript. Os usuários podem encontrar e instalar extensões usando o site oficial GNOME Shell Extensions em extensions.gnome.org. Algumas dessas extensões são hospedadas no repositório git do GNOME, embora não sejam oficiais. A partir do GNOME 3.8, o GNOME fornece um conjunto de extensões oficialmente suportadas que incluem um menu de aplicativos, um menu de locais na barra superior e um painel na parte inferior da tela com uma lista de janelas que permite aos usuários minimizar e restaurar rapidamente janelas abertas. As extensões permitem personalizações que vão desde pequenas mudanças, como mover o relógio para o lado direito da tela, até grandes mudanças, como reorganizar as janelas na visão geral de atividades de maneira diferente.

Distribuições Linux Diversas distribuições Linux adotaram o GNOME Shell como ambiente de desktop padrão:

Fedora: Usa o GNOME Shell por padrão desde a versão 15, lançada em maio de 2011 Arch Linux: Abandonou o suporte ao GNOME 2 em favor do GNOME 3 em seus repositórios em abril de 2011 openSUSE: A edição GNOME usa o GNOME Shell desde a versão 12.1 em novembro de 2011 Debian: A partir da versão 8 (Jessie), lançada em abril de 2015, apresenta o GNOME Shell como desktop padrão Ubuntu: Usa o GNOME Shell por padrão desde a versão 17.10, lançada em outubro de 2017, após a Canonical encerrar o desenvolvimento do Unity Oracle Solaris: A versão 11.4 substituiu o GNOME 2 pelo GNOME Shell em agosto de 2018

Recepção O GNOME Shell recebeu críticas mistas desde o seu lançamento. Foi criticado por uma variedade de razões, principalmente relacionadas a decisões de design e controle reduzido do usuário sobre o ambiente. Uma das críticas mais notáveis veio de Linus Torvalds, criador do kernel Linux, que em agosto de 2011 abandonou o GNOME 3 em favor do Xfce, chamando o GNOME 3 de "bagunça profana" (unholy mess). Torvalds criticou a experiência do usuário do GNOME 3, afirmando que a interface tornava difícil realizar trabalho real no desktop. Em 2012, Torvalds comentou que o GNOME 3.2 estava "começando a parecer quase utilizável" com ferramentas de ajuste e extensões, mas sugeriu que essas ferramentas deveriam ser mais fáceis de encontrar e fazer parte da instalação padrão. Usuários da comunidade de software livre levantaram preocupações de que a integração planejada com o Mutter significaria que os usuários do GNOME Shell não poderiam mudar para um gerenciador de janelas alternativo sem quebrar o desktop. Em particular, usuários podem não ser capazes de usar o Compiz com o GNOME Shell mantendo acesso aos mesmos tipos de recursos que versões antigas do GNOME permitiam. Scott Gilbertson da The Register observou que o GNOME 3 representava "mudanças chocantes", mas era "mais limpo" e "mais simples". O site Ars Technica chamou o novo GNOME Shell de "bom ponto de partida para construir algo ainda melhor" e previu "reação negativa dos usuários" que ficariam chateados com recursos ausentes. As avaliações geralmente se tornaram mais positivas ao longo do tempo, com lançamentos futuros abordando muitos dos incômodos relatados pelos usuários.

Projetos derivados A mudança radical introduzida pelo GNOME Shell levou à criação de vários projetos derivados que buscavam preservar a experiência tradicional do desktop:

MATE: Bifurcado em agosto de 2011 a partir da base de código do GNOME 2 com a intenção de preservar a metáfora tradicional de desktop associada ao GNOME 2 Cinnamon: Desenvolvido pela equipe do Linux Mint em 2011, inicialmente como "Mint GNOME Shell Extensions" que rodavam sobre o GNOME Shell. Tornou-se um ambiente de desktop completamente independente do GNOME Shell com o Cinnamon 2.0 em 9 de outubro de 2013 Unity: A Canonical, empresa que desenvolve o Ubuntu, cessou o trabalho com os desenvolvedores do GNOME Shell durante as fases de planejamento do GNOME 3 e lançou seu próprio ambiente de desktop, Unity, substituindo o GNOME como shell de desktop padrão no Ubuntu 11.04 em abril de 2011

Referências

Ligações externas «Página oficial do GNOME Shell» (em inglês) «GNOME Shell Extensions» (em inglês) «The GNOME Project» (em inglês)