Política / Eleições 2026

Mapa conservador: após avanço do PL no primeiro turno, direita consolida domínio e terá a maioria dos governos estaduais
Mapa conservador: após avanço do PL no primeiro turno, direita consolida domínio e terá a maioria dos governos estaduais · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Campo elegeu 15 governadores, enquanto a esquerda ficou com quatro estados, e siglas de centro elegeram oito chefes do Executivo

Eleições estaduais — Foto: Editoria de Arte
Eleições estaduais — Foto: Editoria de Arte · Imagem: Eleições estaduais — Foto: Editoria de Arte

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Mapa conservador: após avanço do PL no primeiro turno, direita consolida domínio e terá a maioria dos governos estaduais
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Celina Leão, Sergio Moro e Cletinho Azevedo — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo e Ton Molina/Agência Senado

A eleição terminou no domingo com a ampliação da presença da direita nos governos estaduais. O campo elegeu 15 governadores, impulsionado pelo PL, que triplicou sua base em quatro anos. No segundo turno, a direita venceu no Distrito Federal, no Acre e no Espírito Santo; partidos de centro conquistaram o Amazonas e o Tocantins, enquanto o PT manteve o Rio Grande do Norte. Ao fim da disputa, a esquerda ficou com quatro estados, e siglas de centro elegeram oito chefes do Executivo.

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O avanço da direita foi puxado principalmente pelo PL de Flávio Bolsonaro, que passou de dois governadores, em 2022, para seis. A sigla comandará os três estados da Região Sul, além de Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima. O PP também ampliou sua presença, dobrando o número de eleitos e chegando a quatro governos estaduais.

Na outra ponta, a esquerda encolheu de sete para quatro governos. O PT manteve os quatro estados conquistados em 2022 — Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí —, todos no Nordeste, enquanto o PSB deixará o comando de três estados a partir de 2027. Já os partidos de centro reduziram de nove para oito os estados governados. No saldo geral, a direita passou de 11 para 15 estados.

Eleições estaduais — Foto: Editoria de Arte

Decisões em segundo turno

Seis disputas foram decididas no domingo. No Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP), aliada de Flávio Bolsonaro (PL) e da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL), confirmou o favoritismo e alcançou 57,18% dos votos válidos, superando o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT).

No Espírito Santo, outro aliado de Flávio, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), venceu o atual governador Ricardo Ferraço (MDB), que tentava a reeleição. Ferraço assumiu o governo em abril, após Renato Casagrande deixar o cargo para disputar o Senado. Na votação de domingo, Pazolini teve 52,17% dos votos válidos, contra 47,83% do adversário, que tentou evitar a nacionalização do debate eleitoral no estado.

No Tocantins, a disputa terminou com uma virada. O deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), que havia ficado atrás no primeiro turno, superou a senadora Professora Dorinha Seabra (União) e conquistou 64,52% dos votos válidos. Embora os dois candidatos tenham buscado aproximação com Flávio Bolsonaro, Dorinha recebeu manifestações mais concretas de apoio do presidenciável. Vicentinho, por sua vez, apostou no fortalecimento de alianças regionais.

No Acre, a atual governadora, Mailza Assis (PP), confirmou o favoritismo e foi reeleita com 66,21% dos votos válidos. Ela assumiu o Palácio Rio Branco em abril, após a saída de Gladson Cameli (PP), e enfrentou na disputa o senador Alan Rick (Republicanos).

Nos outros dois estados, o resultado foi favorável a aliados do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) superou a empresária bolsonarista Maria do Carmo (PL), com 61,42% dos votos válidos.

Vitória apertada no RN

No Rio Grande do Norte, o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu de Lula (PT) venceu o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) em uma disputa apertada. A campanha do segundo turno foi marcada pela disputa pelos eleitores de Álvaro Dias (PL), terceiro colocado no primeiro turno. O apoio do bolsonarista e de lideranças ligadas ao PL favoreceu Allyson, mas o petista conseguiu reverter a desvantagem.

Cadu havia terminado o primeiro turno 0,78 ponto percentual atrás do adversário. Para virar o resultado, contou com a mobilização da governadora Fátima Bezerra (PT), que abriu mão de disputar o Senado para ajudar a chapa petista, e com a presença de Lula na campanha. O candidato venceu com 50,77% dos votos válidos, apenas 32.625 votos a mais que Allyson.

Para a cientista social Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os resultados nos estados mostram que as elites políticas tradicionais se aproximaram da extrema direita e passaram a conviver com sua hegemonia no campo conservador:

— Porém, o país tem um campo popular muito vivo e que deu uma vitória estreita a Lula. É nesse cenário que essas elites podem ficar menos próximas da hegemonia da extrema direita.

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