Operação Narco Fluxo foi uma operação da Polícia Federal do Brasil deflagrada em 15 de abril de 2026 para desarticular uma organização criminosa que praticava lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e das bets. Entre os alvos da operação estão MC Poze do Rodo, MC Ryan SP, e o dono da página Choquei, o influenciador Raphael Sousa Oliveira. Na operação foram apreendidos carros de luxo das marcas BMW, Porsche, Land Rover e Mercedes e um relógio Rolex. A operação é um desdobramento das operações Narco Vela, e Narco Bet (operação que prendeu Buzeira), que investigavam a exportação de drogas e o uso de apostas para ocultar valores. No mesmo dia, o funkeiro MC Poze do Rodo permaneceu em silêncio na sede da Polícia Federal após ser preso em casa durante a operação. O total dos presos na operação Nacrofluxo foram 33. O valor bloqueado do grupo ultrapassa 1,6 bilhão de reais. A ação contou com a atuação de mais de 200 policiais federais e apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo. De acordo com as investigações, o esquema movimentou mais de 260 bilhões de reais. Segundo as investigações, MC Ryan utilizava produtoras para misturar dinheiro ilícito com receitas de shows. A engenharia financeira contava com o apoio da empresa Golden Cat, de proprietários chineses, que enviava recursos para o exterior via criptomoedas. As apurações indicam uma ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), que injetavam dinheiro em bets fraudulentas, e os valores eram depois repassados para a empresa de Ryan. A PF apreendeu um colar com a imagem do traficante colombiano Pablo Escobar, dentro de uma moldura do mapa do estado de São Paulo, que foi encontrado na residência do funkeiro. A lista dos investigados inclui o empresário Rodrigo Inácio Lima de Oliveira, ligado a uma das maiores produtoras de funk do país, o influenciador digital Chrys Dias, e o influenciador Matheus Magrini, que foi preso em Jundiaí. O principal alvo da operação foi o influenciador digital Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, que foi preso em 2025 em uma investigação do Gaeco Campinas, suspeito de envolvimento em um plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho. Ele também é ex-padrasto do MC Ryan. Eduardo Magrini participou dos ataques do PCC ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em São Paulo, em 2006.
Sobre os investigados O sócio da GR6, Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, que foi um dos alvos da Operação Narco Fluxo, foi alvo da Operação Latus Actio, em março de 2024, quando a PF apreendeu carros de luxo e aeronaves. O influenciador digital Chrys Dias, que foi um dos presos durante a operação, tem uma mansão luxuosa em Itupeva no estado de São Paulo, com sacada, área gourmet e uma piscina. Durante o o cumprimento do mandado da operação no imóvel de Chrys, a polícia encontrou um carro rosa e uma réplica de um carro de Fórmula 1 semelhante ao outro verdadeiro pilotado por Ayrton Senna. A investigação da Polícia Federal aponta que o Bololô Restaurant & Bar, um estabelecimento de MC Ryan SP situado na Zona Leste de São Paulo, integrava uma complexa engrenagem bilionária de lavagem de dinheiro proveniente de apostas ilegais e tráfico de drogas. O estabelecimento tornou-se um dos alvos centrais da operação. O inquérito policial aponta que a empresa R66 Air Ltda, do político Pablo Marçal, transferiu 4,4 milhões de reais para a conta pessoal do cantor MC Ryan SP, preso em uma megaoperação da PF, para a compra de um helicóptero modelo Robinson R66 Turbine.
Antecedentes A investigação teve início a partir da análise de um backup na nuvem (iCloud) de Rodrigo Morgado, apontado como o contador do esquema, obtidos na investigação anterior, a Operação Narco Bet. Três dias antes da operação, MC Ryan SP usou as redes sociais para comemorar sua chegada no topo do serviço sueco de streaming de áudio e mídia Spotify, como o artista mais ouvido do Brasil.
Fatos posteriores Em 17 de abril, o Tribunal Regional Federal da 3a Região (TRF3) informou que todas as audiências foram realizadas pela Justiça e as prisões temporárias foram mantidas. Segundo o tribunal, a única exceção foi o caso de Débora Paixão, que teve a sua detenção convertida para domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica. No dia 23 de abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a soltura do MC Ryan SP em razão do prazo dos cinco dias da prisão temporária incialmente pedido pelo PF ter sido cumprido. O ministro do STJ Messod Azulay Neto, relator do caso, afirmou que o habeas corpus vale também para os demais presos na operação em situação semelhante. No mesmo dia a PF pediu a prisão preventiva para manter a prisão dos investigados. Em 13 de maio, a justiça revogou a prisão preventiva, e decidiu soltar MC Ryan SP, Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira.
Apreensões Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu 53 celulares, 56 mídias eletrônicas (computadores, tablets e notebooks), 56 itens de joias e relógios, 120 armas e munições, 55 carros de luxo e motocicletas, 300 mil reais em dinheiro em espécie, 7,3 mil dólares em espécie (algo em torno de 36 mil reais), além de documentos e registros financeiros.
Consequências O artista MC Ryan e o influenciador Chrys Dias, presos em operação da PF, tiveram as contas do Instagram retiradas do ar.
Ver também Lista de operações da Polícia Federal do Brasil Corrupção no Brasil Operação Carbono Oculto Operação Compliance Zero Operação Zargun Operação Vérnix
Referências