O Tornado de Palmas em 1959 foi um tornado extremamente violento parte de um surto de tornados em 14 de agosto de 1959, que atingiu a região Palmas e áreas próximas, no Paraná, Brasil. O tornado começou próximos as margens do Rio Itarim a sudoeste do município Biturana, cerca de 15km a sudoeste, pelas marcas na vegetação o evento se intensificou rapidamente causando danos de F3 e F4 antes de atingir a fazenda Fortaleza, o evento atingiu uma largura máxima de 1,6km. O evento atingiu a Fazenda com intensidade máxima com danos F4. Após a dissipação do evento, o tornado deixou para trás um rastro de destruição, com um prejuízo superior a 500 milhões de cruzeiros. O tornado não tem nenhuma classificação oficial, porém, existe um consenso entre meteorologistas em F4, outros pontos de vista o classificam em F5. Sendo considerado um dos tornados mais intensos já registrados no Brasil.

Descrição O tornado que atingiu Palmas e áreas próximas, incluindo a Fazenda Fortaleza e regiões que hoje formam Coronel Domingos Soares, causou destruição generalizada em toda a sua trajetória. Casas de madeira robusta foram completamente destruídas, com pisos e fundações muitas vezes sendo os únicos vestígios. Galpões e construções auxiliares foram arrasados, com destroços pesados lançados a dezenas ou centenas de metros. Estruturas como celeiros, armazéns e depósitos foram pulverizadas, deixando os locais irreconhecíveis. Pessoas foram arremessadas de seus abrigos, sofrendo ferimentos graves e mortes. Na Fazenda Fortaleza, moradores relataram que partes inteiras das casas desapareceram, telhados, paredes e móveis foram levados pelo vento, e galpões usados como dormitórios foram completamente destruídos. Animais, incluindo bois, cavalos e outros rebanhos, foram mortos ou levados junto com os destroços. O tornado avançou para áreas rurais e pequenas comunidades vizinhas, destruindo plantações inteiras e arrancando árvores de grande porte. Árvores foram quebradas ao meio, derrubadas ou completamente descascadas, deixando a terra coberta de troncos e galhos. Estradas ficaram bloqueadas por destroços e árvores caídas, dificultando o acesso de equipes de socorro. Veículos pesados foram deslocados e lançados a grandes distâncias: tratores, carros e caminhões foram movidos de suas posições originais, colidindo com construções ou ficando parcialmente destruídos. Casas e galpões fora da Fazenda Fortaleza também sofreram danos severos, com telhados arrancados, paredes desmoronadas e móveis espalhados pelo terreno. O tornado deixou uma faixa de destruição estreita, mas intensa, marcando a paisagem com escombros, árvores derrubadas, edifícios destruídos e solos arrasados. O impacto foi sentido em várias localidades, com comunidades inteiras sofrendo perdas materiais e ambientais, evidenciando a força extrema do fenômeno e o efeito devastador que teve em pessoas, construções e no meio rural.

Sinopse meteorológica

A configuração sinótica do devastador surto de tornados de agosto de 1959 representa um dos cenários meteorológicos mais complexos e violentos já registrados na história do Hemisfério Sul, sendo compreendida hoje através de uma reconstrução técnica baseada em eventos análogos modernos e na análise de padrões climatológicos de grande escala por exemplo O surto de tornado de 7 de novembro de 2025 e o surto de tornados de 12 de julho de 2023. O pilar central que sustentou tamanha severidade foi a influência direta de um forte episódio de El Niño (ENSO), que se encontrava em seu ápice durante aquele inverno. A presença do El Niño é um fator crítico, pois ele altera a dinâmica da alta atmosfera, intensificando a Corrente de Jato Subtropical e mantendo-a posicionada sobre o Sul do Brasil. Esse padrão cria um canal contínuo para a passagem de sistemas de baixa pressão e bloqueia frentes frias, forçando-as a interagir de forma prolongada com o ar quente e úmido, o que estabelece um ambiente de instabilidade persistente e propício para o desenvolvimento de tempestades de supercélula por vários dias consecutivos. Associada ao ciclone encontrava-se uma frente fria ativa que avançava pela região. O encontro entre o ar quente e úmido presente sobre o Sul do Brasil e o ar mais frio transportado pelo sistema frontal criou uma extensa zona de instabilidade atmosférica, favorecendo o desenvolvimento de tempestades intensas. Em altos níveis da atmosfera, um intenso jato subtropical atuava sobre o centro-sul da América do Sul. O sistema produzia forte divergência em altitude, favorecendo movimentos ascendentes persistentes e contribuindo para a manutenção de tempestades profundas e organizadas. Nos baixos níveis da atmosfera, observava-se um intenso transporte de calor e umidade proveniente do norte da Argentina, Paraguai e bacia Amazônica. Esse fluxo, associado ao Jato de Baixos Níveis da América do Sul (SALLJ), aumentou significativamente a disponibilidade de umidade sobre a Região Sul e forneceu energia para o desenvolvimento das tempestades. Em médios níveis da troposfera, a presença de um cavado atmosférico profundo favoreceu movimentos ascendentes adicionais e aumentou a organização dos sistemas convectivos. A interação entre o cavado, o jato subtropical e o intenso escoamento em baixos níveis criou um ambiente altamente favorável ao desenvolvimento de tempestades supercelulares. Outro fator importante foi o intenso cisalhamento vertical do vento observado durante o período. As diferenças de velocidade e direção dos ventos entre baixos e altos níveis favoreceram a formação de correntes ascendentes rotativas, permitindo o desenvolvimento de mesociclones e aumentando significativamente o potencial para ocorrência de tornados fortes. A análise dos campos de umidade também demonstra elevada disponibilidade de ar quente e úmido próximo à superfície, enquanto ar relativamente mais seco avançava em níveis médios da atmosfera. Essa combinação favoreceu o aumento da instabilidade convectiva e intensificou as correntes ascendentes associadas às tempestades mais severas. Devido à ausência de observações meteorológicas modernas em 1959, diversos parâmetros atualmente utilizados na previsão de tempestades severas não puderam ser calculados diretamente. Dessa forma, a reconstrução meteorológica do evento foi baseada principalmente em dados de reanálise atmosférica, registros climatológicos históricos e documentação disponível sobre os impactos observados.

Ciclone Santinho O Ciclone Santinho foi um dos sistemas meteorológicos mais notáveis registrados na América do Sul em 1959. Atuando de 9 a 16 de agosto, o ciclone afetou uma vasta área do continente, do litoral centro-sul da Argentina até o Sudeste do Brasil. Ele manteve sua circulação ativa por cerca de uma semana antes de se dissipar próximo ao litoral da Bahia.

Trajetoria do ciclone Santinho Sua formação ocorreu na Argentina entre 9 e 10 de agosto, quando uma área de baixa pressão começou a se desenvolver devido à interação entre massas de ar de diferentes características e à atuação de sistemas de altos níveis da atmosfera. Nos dias seguintes, o sistema foi se intensificando e se movendo em direção ao Atlântico Sul, expandindo sua influência sobre o Uruguai e o Sul do Brasil.

Apesar de a pressão mínima estimada do ciclone ter permanecido entre 1000 e 1008 hPa, valores relativamente modestos para um ciclone intenso, o Santinho destacou-se por produzir ventos fortes e persistentes. Isso se deveu ao intenso gradiente de pressão atmosférica associado ao sistema. A rápida variação de pressão em curtas distâncias causou uma forte aceleração do ar, resultando em rajadas expressivas em amplas áreas do Cone Sul. Uma característica interessante do Santinho foi sua natureza híbrida. O sistema apresentava características típicas de ciclones extratropicais, como associação com frentes e contrastes térmicos, mas também exibia elementos de ciclones subtropicais. Entre esses aspectos estavam a organização da atividade convectiva próxima ao centro de circulação, uma estrutura parcialmente simétrica em determinados momentos e a manutenção de ventos intensos mesmo sem pressões excepcionalmente baixas. Essas características tornam o Santinho semelhante, em alguns aspectos, ao ciclone Yakecan de 2022, que também mostrou uma combinação de processos extratropicais e subtropicais durante sua evolução. Além da circulação ciclônica, o sistema foi responsável pela formação de uma extensa linha de instabilidade. A interação entre o ar quente e úmido vindo das regiões tropicais e o ar mais frio associado ao ciclone criou uma zona favorável ao desenvolvimento de tempestades organizadas. Essa linha de instabilidade se estendeu por centenas de quilômetros, gerando forte atividade elétrica, chuvas intensas e ventos severos em várias áreas da América do Sul. A dimensão do Santinho também foi incomum. Em seu auge, a circulação do sistema cobria uma área de milhares de quilômetros, afetando diretamente o litoral argentino, o Uruguai e grande parte das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Mesmo após seu enfraquecimento, os remanescentes continuaram sendo identificados ao longo da costa brasileira, movendo-se gradualmente para o norte até se dissiparem próximo ao litoral baiano. No dia 14, o sistema alcançou seu máximo em termos de organização e gravidade. O ciclone continuava a exercer uma forte circulação sobre o Atlântico Sul, ao passo que a frente fria relacionada se movia pelo Sul do Brasil. A contínua infiltração de umidade, aliada ao forte cisalhamento vertical e ao suporte dinâmico em camadas altas, sustentou a persistência de tempestades bem-organizadas e intensas. Nessa ocasião, a linha de instabilidade que acompanhava o sistema se estendeu ao máximo, cruzando centenas de quilômetros e gerando tempestades severas em rápida sucessão. As condições climáticas se mantiveram favoráveis durante a maior parte do dia, fazendo do dia 14 o mais intenso de todo o evento.

Impacto

Danos estruturais e civis A destruição das edificações na Fazenda Fortaleza representa o ápice do que a engenharia define como falha catastrófica total. O laudo técnico descreve que a sede da fazenda, tratava-se de uma edificação de dois pavimentos, executada predominantemente em alvenaria, com paredes externas portantes de espessura considerável, responsáveis pela sustentação das cargas verticais. Esse sistema construtivo, típico das tradições europeias adaptadas ao contexto brasileiro, conferia elevada robustez à edificação, além de contribuir significativamente para seu desempenho térmico, em função da alta inércia proporcionada pelas massas murárias a estrutura visava suportar o rigor climático do planalto paranaense. O dado mais contundente e aterrorizante registrado pelos peritos foi que esta residência estava ancorada sobre uma fundação do tipo radier (uma laje de concreto contínua e maciça). Após a passagem do olho do tornado, essa laje foi encontrada absolutamente nua e polida e sua porta arremessada a 20km de distância sendo encontrada no centro da cidade de Palmas, cerca de 15km de distância da rota do evento. Não restaram escombros sobre o concreto: nem fragmentos de tijolos das chaminés, nem assoalhos, nem os pesados móveis de época. Isso indica que a combinação da pressão negativa de sucção no núcleo do vórtice com a força dinâmica dos ventos rotacionais gerou uma força de sustentação tão descomunal que a casa inteira foi "desplantada" do solo em um único bloco antes de ser fragmentada no ar e seus componentes dispersados a quilômetros de distância. Esse fenômeno de "varrimento de laje" é um indicador inequívoco de ventos de escala máxima, onde a ancoragem física é vencida pelo cisalhamento puro. Além da sede, o complexo contava com mais de 20 residências de colonos, construídas no rigoroso padrão estrutural alemã e italiana com componentes estruturais de outros países, com paredes de 30 centímetros de espessura e encaixes de precisão que ofereciam uma rigidez estrutural extrema. Todas essas casas foram literalmente pulverizadas. O laudo menciona que fragmentos de madeira dessas habitações, alguns pesando cerca de 400 kg, foram arremessados com tamanha força que foram encontrados cravados em encostas de morros a distâncias que desafiam a lógica da balística. Três grandes galpões de armazenamento e alojamento também foram desintegrados até o nível do solo. O nível de energia cinética foi tão absurdo que as vítimas que tentaram se abrigar nesses locais sofreram um fenômeno de "decapagem" por pressão: suas roupas foram integralmente arrancadas pela força do vento e seus corpos sofreram mutilações por projéteis de detritos microscópicos (como grãos de areia e farpas de madeira) que viajavam a velocidades supersônicas, tornando o ar fisicamente letal mesmo sem o impacto de objetos maiores.

Danos vegetais e ambientais No âmbito biológico e ambiental, o tornado de Palmas agiu como uma ferramenta de tortura mecânica de escala industrial, transformando a paisagem em um deserto de matéria orgânica triturada. O fenômeno mais drástico e tecnicamente relevante documentado foi o debarking extremo (descascamento total) de árvores de grande porte. Pinheiros centenários e matas nativas robustas não foram apenas derrubados ou arrancados pelas raízes; os troncos que, por algum milagre de ancoragem profunda, permaneceram fixos ao solo, foram submetidos a um bombardeio incessante de bilhões de partículas de terra, areia, lascas de metal e fragmentos de construção que orbitavam o funil. Esse fluxo de ar carregado de detritos funcionou como um jato abrasivo de alta potência, removendo inteiramente a casca, o câmbio e as camadas superficiais de madeira dos troncos, deixando para trás esqueletos vegetais brancos, lisos e despojados de qualquer proteção externa. O laudo registra ao menos 20 casos documentados de descascamento severo, comparando o impacto ao tornado de San Justo (Argentina) pela capacidade de vencer a resistência molecular das fibras lenhosas. Somado a isso, o solo da Fazenda Fortaleza sofreu o que a meteorologia severa chama de ground scouring, ou escarificação profunda. A força de sucção e o atrito do vento no núcleo do tornado foram tão potentes que o funil não se limitou a arrancar a vegetação rasteira; ele escavou a camada de solo fértil em uma profundidade de aproximadamente 15 a 20 centímetros. A grama, as raízes e a terra orgânica foram sugadas para dentro do sistema, deixando uma cicatriz contínua de solo mineral exposto e rocha batida que delineava com precisão milimétrica o rastro de destruição máxima. Rebanhos inteiros de gado e cavalos foram dizimados de maneira brutal; os animais foram encontrados com esqueletos pulverizados e arremessados a distâncias quilométricas, com o laudo apontando que a massa biológica de um animal de 600 kg era tratada pelo vento como se não possuísse inércia, sendo mutilada pela própria pressão do ar antes mesmo de atingir qualquer obstáculo físico.

Danos em automóveis e objetos pesados A análise dos danos em objetos de grande massa e alta densidade fornece as evidências definitivas sobre a velocidade terminal do vento na Fazenda Fortaleza, elevando o evento ao topo da Escala Fujita. O laudo detalha o caso estarrecedor de um trator de aproximadamente 5 toneladas (5.000 kg), uma máquina de ferro fundido extremamente compacta e pesada, que estava estacionada dentro de um dos robustos galpões da fazenda. Este trator foi arrancado de sua posição original, elevado verticalmente aos céus e arremessado a uma distância de 48 metros, o veículo inicialmente percorreu 40 metros acertando uma árvore da espécie imbuia a árvore teve todo o tronco para cima completamente pulverizado e com a força do impacto foi parcialmente tombada com as raízes expostas, o trator percorreu ainda mais 8 metros acertando violentamente o chão. Para que uma massa de cinco toneladas seja mobilizada dessa forma, a força dinâmica de arrasto e a sustentação gerada pelo vórtice precisaram vencer o peso bruto e o atrito estático de uma máquina projetada para ser inabalável.

Veículos de transporte menores, como os Jeeps Willys da frota da fazenda, sofreram um destino ainda mais violento. Eles foram transportados por quilômetros através do terreno acidentado e encontrados como massas compactas de metal retorcido, onde os chassis de aço maciço foram dobrados e compactados sobre si mesmos como se fossem feitos de material plástico. Um detalhe técnico de extrema relevância mencionado pelos peritos foi a remoção dos pneus das jantes: a queda de pressão externa no núcleo do tornado foi tão súbita que o ar no interior dos pneus expandiu explosivamente, enquanto a fricção lateral do vento arrancava a borracha das rodas metálicas antes mesmo dos primeiros impactos. A energia cinética concentrada era tamanha que pequenos componentes mecânicos, como engrenagens e parafusos de aço, foram transformados em estilhaços de alta ordem, sendo encontrados cravados profundamente em postes de luz remanescentes ou restos de troncos que resistiram ao impacto. A combinação de todos esses fatores — o arremesso do trator de 5 toneladas, a limpeza cirúrgica das lajes de concreto e o descascamento total das árvores — permitiu que o laudo concluísse que os ventos em Palmas atingiram o patamar de 435 km/h a 445 km/h.

características

distância percorrida O tornado atravessou duas localidades documentadas, uma sendo a fazenda Fortaleza e outra sendo uma serraria. na fazenda registra-se 30 vítimas fatais e na serraria cerca de 5, com vários desaparecidos. o tornado percorreu cerca de 40km enquanto estava em solo, e se deslocou por velocidades impressionantes acima 100km/h. Mesmo com essa velocidade de deslocamento, o tornado foi capaz de causar os danos observados.

Tamanho do tornado A largura da área de atuação do tornado, o tamanho do funil foi estimada que variava entre 800 e 1300 metros, com um pico de tamanho de 1600 metros, o núcleo de maior intensidade do tornado era estupidamente grande com tamanho estimado de até 500 metros causando danos catastróficos, enquanto a área de ventos, se entendia até 1,6km causando danos menores, o tornado de acordo com os relatos engoliu totalmente a fazendo Fortaleza causando danos entre F2 e F5 em praticamente todas as casas da localidade, com algumas poucas mais distantes ficando livre de danos, a localidade possuía ±2km de largura o que permitiu descobrir a área de ventos do evento.

Aparência do tornado A descrição visual do tornado constitui um dos registros mais impressionantes do evento. A aproximação do sistema foi relatada como uma extensa e baixa estrutura de nuvens, apresentando características semelhantes às de uma nuvem-prateleira (shelf-cloud) associada a uma tempestade severa, ou mesmo a uma supercélula com um mesociclone de aparência análoga à estrutura conhecida como "mothership". Na área central da tempestade uma grande área de coloração extremamente escura, descrita como uma verdadeira parede negra. O setor direito da circulação tornádica encontrava-se envolto por intensa precipitação de tonalidade esverdeada, era impossível determinar os limites do funil, tornando indistinguível o ponto onde a circulação começava e terminava do ponto de vista dos moradores que viram o fenômeno.

Comparações

Comparado a um F3 A comparação inicial do laudo utiliza como referência de F3 o tornado de Guarujá do Sul (1976). Em um evento de categoria F3, os danos típicos envolvem o destelhamento completo de casas de alvenaria e a derrubada de paredes, mas as estruturas costumam deixar um "esqueleto" ou montantes de entulho sobre o local. Em Palmas, a realidade na Fazenda Fortaleza foi a desintegração. Enquanto um F3 derruba árvores e arranca telhas de zinco, o tornado de Palmas pulverizou casas construídas com madeira de imbuia maciça, uma das mais densas do mundo. O laudo destaca que a força necessária para transformar vigas de madeira nobre em estilhaços microscópicos e projetar fragmentos de 400 kg a quilômetros de distância está muito além do torque rotacional de um F3. No nível 3 da escala, árvores são quebradas, mas em Palmas elas foram "tosquiadas" e decapitadas, indicando que o fluxo de detritos era tão denso que agia como uma serra, algo que a física de um F3 não consegue sustentar.

Comparado a um F4 A exclusão da classificação F4 para o tornado de Palmas foi realizada por meio da comparação direta com o tornado de Veranópolis, evento ocorrido na noite de 13 de agosto de 1959 no estado do Rio Grande do Sul, amplamente documentado por registros fotográficos e relatos históricos. Esse tornado foi classificado no estudo como um evento F4 devido principalmente aos danos ambientais expressivos observados ao longo de sua trajetória, incluindo arrancamento de árvores de grande porte, debarking completo e escavação superficial do solo, indicadores tradicionalmente associados a tornados de alta intensidade dentro da Escala Fujita. Em Veranópolis, residências de madeira foram arrancadas de suas fundações e diversas construções sofreram colapso estrutural severo, demonstrando a atuação de ventos extremamente intensos. Ainda assim, mesmo diante da destruição significativa, grande parte da superestrutura das edificações permaneceu fragmentada nas proximidades do local original, formando acúmulos concentrados de destroços sobre ou ao redor das fundações. Esse comportamento é considerado típico de tornados F4, nos quais ocorre destruição extrema, porém não necessariamente o varrimento absoluto das construções. Ao comparar esse padrão com os danos observados em Palmas, o estudo identifica uma diferença fundamental de regime destrutivo. Enquanto em Veranópolis o debarking foi classificado como completo, em Palmas o fenômeno ocorreu de maneira ainda mais severa e repetida, envolvendo não apenas a remoção da casca das árvores, mas também galhos, folhagem e partes estruturais externas do tronco, deixando extensas áreas de vegetação praticamente obliteradas. Essa repetição sistemática do dano indica um núcleo tornádico mais energético e sustentado. A discrepância torna-se ainda mais evidente na análise estrutural das edificações. No tornado de Veranópolis, embora casas tenham sido removidas das fundações, seus restos permaneceram relativamente próximos ao ponto de origem, indicando falha estrutural sob ventos extremos, porém dentro do espectro esperado para F4. Já em Palmas, observou-se varrimento estrutural absoluto, com remoção integral da superestrutura e exposição limpa das fundações, sem permanência de elementos construtivos significativos conectados à base. Os destroços foram transportados por centenas de metros, evidenciando forças superiores às normalmente associadas mesmo a tornados F4 de alta intensidade. Dessa forma, tomando o tornado de Veranópolis como referência técnica representativa da categoria F4, o estudo conclui que o padrão destrutivo registrado em Palmas ultrapassa claramente esse nível. A combinação entre debarking severo repetido, ground scouring mais pronunciado e varrimento completo de construções robustas posiciona o tornado de Palmas acima do intervalo característico de um F4, justificando sua exclusão dessa classificação e sustentando a necessidade de comparação com eventos F5.

Comparado a um F5 A verificação da possibilidade de classificação F5 para o tornado de Palmas foi realizada por meio de comparação direta com tornados historicamente reconhecidos dentro da intensidade máxima da Escala Fujita, sendo utilizado como principal referência o tornado de Niles–Wheatland, ocorrido em 31 de maio de 1985 nos estados da Pensilvânia e Ohio, Estados Unidos. Esse evento integra o surto de tornados de 1985 na América do Norte e é amplamente considerado um dos tornados F5 mais bem documentados do século XX, possuindo extensa documentação fotográfica, levantamentos de campo e análises conduzidas por meteorologistas norte-americanos.

O tornado de Niles–Wheatland produziu destruição extrema ao longo de sua trajetória, incluindo o varrimento completo de residências, remoção total de estruturas bem construídas de suas fundações e lançamento de objetos de grande massa a consideráveis distâncias. Entre os danos mais conhecidos está o deslocamento de um tanque industrial metálico de petróleo, estimado entre três e seis toneladas, arremessado por aproximadamente 55 metros. Além dos impactos estruturais, o evento apresentou indicadores ambientais clássicos de intensidade F5, como debarking completo em árvores maduras e ocorrência significativa de ground scouring, caracterizado pela remoção da camada superficial do solo.

Classificações O tornado que atingiu o município de Palmas, no estado Paraná, em 14 de agosto de 1959, permaneceu por décadas sem uma classificação oficial de intensidade, em razão da inexistência, à época, de metodologias padronizadas de levantamento de danos tornádicos no Brasil. Registros históricos e relatos posteriores frequentemente descreviam o fenômeno como equivalente a um tornado F4 na Escala Fujita, embora essa avaliação nunca tenha sido formalmente estabelecida por órgãos meteorológicos. A ausência de análises técnicas sistemáticas fez com que a real intensidade do evento permanecesse indefinida por mais de sessenta anos. Em fevereiro de 2026um estudo independente conduzido por dois estudantes de meteorologia realizou uma reavaliação técnica dos tornados associados ao surto severo ocorrido no sul do Brasil em agosto de 1959. O trabalho teve como objetivo aplicar retrospectivamente os critérios da Escala Fujita clássica por meio da análise de documentação histórica disponível, incluindo fotografias dos danos, relatos de testemunhas, registros jornalísticos e descrições oficiais produzidas nos dias posteriores ao desastre. A pesquisa buscou priorizar indicadores físicos persistentes, especialmente danos ambientais, considerados mais confiáveis em eventos históricos devido à incerteza sobre padrões construtivos das edificações atingidas, no mês de junho o estudo foi finalizado agora focado nas rotas e características dos eventos, com uma equipe expandida para 5 pessoas Como resultado da análise, o tornado de Palmas foi classificado no estudo como um tornado F5 de baixa intensidade (low-end F5) na Escala Fujita clássica. A classificação foi fundamentada principalmente na repetição consistente de danos ambientais extremos ao longo do núcleo da trajetória, característica considerada essencial para identificação de tornados de intensidade máxima. Apesar da classificação feita por estudo, ela não foi consolidada por agências oficiais, e permanece como F4, com a única estimativa feita por empresas oficiais, mencionado que o evento atingiu ventos acima de 200km/h. Entre os principais elementos observados destaca-se a ocorrência generalizada de debarking severo, com remoção completa da casca, galhos e folhagem de árvores de grande porte em múltiplos pontos da área afetada. Esse tipo de dano ocorre quando detritos transportados em altíssima velocidade atuam de forma contínua contra a vegetação, sendo reconhecido na literatura meteorológica como um dos indicadores mais confiáveis de ventos associados à categoria F4. No caso de Palmas, o debarking não foi identificado como ocorrência isolada, mas repetiu-se ao longo da faixa central de destruição, indicando a presença de um núcleo tornádico sustentado e altamente energético. Associado a esse padrão, o estudo identificou áreas com ground scouring significativo, caracterizado pela remoção da camada superficial do solo mineral em profundidades estimadas entre aproximadamente 10 e 15 centímetros. Esse fenômeno evidencia intensa interação entre o vórtice e a superfície terrestre e é raramente documentado fora de tornados classificados na intensidade máxima da Escala Fujita. A coexistência entre escavação do solo e debarking severo foi apontada como o principal argumento técnico para o enquadramento do evento como F4. Outros danos ambientais reforçam essa interpretação, incluindo o arrancamento completo de árvores com sistemas radiculares profundos, destruição generalizada da cobertura vegetal e exposição extensa do solo ao longo da trajetória principal. Segundo o estudo, a repetição espacial desses indicadores demonstra que a intensidade extrema não esteve restrita a um único ponto, mas foi mantida por parcela significativa do percurso do tornado, condição necessária para classificação na categoria máxima da escala. Embora danos estruturais também tenham sido analisados, incluindo o varrimento completo da residência principal da Fazenda Fortaleza, construída em alvenaria de resistência moderada sobre fundação contínua, o estudo ressalta que tais evidências foram utilizadas como elementos corroborativos, e não como base principal da classificação. A avaliação priorizou os danos ambientais justamente para reduzir incertezas associadas à qualidade construtiva das edificações existentes em 1959. O tornado resultou em 29 mortes confirmadas (estimativas apontam entre 35-42) e deixou mais de 300 pessoas feridas, embora estimativas históricas indiquem que o número real de feridos possa ter variado entre aproximadamente 500 e até cerca de mil indivíduos, considerando atendimentos não oficialmente registrados. Aproximadamente 335 pessoas foram diretamente afetadas, tornando o evento um dos tornados mais letais já documentados no Brasil. De acordo com as conclusões do estudo publicado em 2026, a classificação F5 atribuída ao tornado de Palmas não se fundamenta em um único dano excepcional, mas na convergência e repetição de múltiplos indicadores ambientais extremos compatíveis com intensidade máxima dentro da Escala Fujita clássica. Os autores destacam ainda que futuras descobertas documentais poderão refinar a avaliação detalhada do evento, embora as evidências atualmente disponíveis sustentem seu enquadramento geral na categoria F5.

Veja também Lista de tornados no Brasil Lista de tornados no Paraná Onda de tornados no Sul do Brasil (1959) Tornado em Itu (1991)

Referências